Informativo Católico voltado a todos os públicos, em especial a JUVENTUDE.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Como viver a Quaresma
Desde os primórdios do cristianismo a quaresma marcou para os cristãos uma fuga ainda maior das futilidades do mundo. Assim sendo, há uma entrega com mais ardor à oração, não pela multiplicação de preces, mas se dedicando mais atenção e piedade aos momentos de uma mais intensa união com Deus, degustando os momentos venturosos de uma prece bem feita. Além disto, todas as tarefas realizadas mais conscientemente na presença do Ser Supremo, o que leva a um maior desvelo no cumprir as obrigações cotidianas e um maior respeito para com o próximo. Isto dá uma amplitude notável às menores ações, afastada toda a indolência e abolidos os pretextos vãos para uma comodidade que, na verdade, é, tantas vezes, o culto da ociosidade, mãe de tantos vícios. Ressoa lá no íntimo de cada um as palavras do Mestre divino: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13,3). Jesus, porém, não quer nada de extraordinário, mas, sim, o dever de cada instante bem feito com o fito de reparar falhas passadas e de propiciar cada um a si mesmo crescimento espiritual, trabalhando pela conversão dos pecadores. Deste modo, se atinge o núcleo do autêntico espírito de sacrifício: a contrição do coração e a mortificação do corpo. Esta pode ser via de ascese, quando são afastados alimentos saborosos, mas que, ao invés de contribuir para a saúde, só servem para aumentar o campo das mais variadas doenças. Quaresma é um tempo precioso para cada um acertar o próprio peso a bem inclusive de sua saúde. A verdadeira homenagem a Deus abrange o homem todo: corpo e alma. A expiação dos pecados é, neste contexto, a meta quaresmal de suma importância Rompimento total, absoluto com o pecado, o que é a essência mesma da conversão interior. Ilusão de muitos cristãos é se julgarem irrepreensíveis. São aqueles que se entregam a uma falsa segurança, sem preocupação alguma em comparar sua vida com os exemplos de Cristo e dos santos. Que se reaviva a coragem dos filhos de Deus que aspiram a paz interior que só é garantida para a alma verdadeiramente penitente. Cumpre se reparem pecados. Além disto, a esmola que inclui todas as obras de misericórdia para com o próximo, é de suma valia e será, sobretudo, providenciando remédio para o pobre que se terão as bênçãos divinas. É desta maneira que o cristão se prepara para o Banquete pascal do glorioso 24 de abril próximo. Nem se pode esquecer que a Campanha da Fraternidade deste ano é um clamor a favor da vida no planeta: "Pois sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente" (Rm 8,22). Esta assertiva do Apóstolo das Gentes lembra que a humanidade foi marcada pelo pecado e, posteriormente, redimida pela graça de Cristo que possibilita uma inteligente convivência com a obra de Deus. A Campanha da Fraternidade de 2011 convida a uma reflexão sobre a inquietante situação do mundo em que vivemos, este planeta tão belo criado pelo Onipotente, o qual, porém, padece os efeitos deploráveis de uma exploração predatória de seus recursos naturais por força da ambição mormente dos paises ricos e do descuido dos que não cultivam o dom da Ciência pelo qual o Espírito Santo conduz a uma sensibilidade acurada para se perceber as maravilhas do universo. São João da Cruz deixou esta expressiva estrofe referente à divindade: “Mil graças derramando, / passou por estes bosques com presteza, / e tendo-os olhado, / com sua simples figura / deixou-os vestidos de sua beleza”. Com esta magnífica figura poética, ele apresenta Deus que vai passando, vai passando pelo espaço, vai passando pelo universo, e, ao ir passando, derrama suas graças, e ao refletir-se sua divina figura nas coisas criadas, reveste-as de luz. O profeta Isaías vaticinou o reino universal e pacífico do Messias, quando “a terra estará cheia da ciência do Senhor”. É na medida em que cada seguidor do Filho de Deus se enche desta iluminação do Espírito Santo que o mundo se metamorfoseia. São Paulo alerta que "a criação foi submetida à vaidade - não por seu querer, mas por vontade daquele que a submeteu - na esperança de ela também ser liberta da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus" (8,21-21). A quaresma é tempo, portanto, também de combater com coragem e determinação a ganância e o descuido que estão na origem de todos os males que fluem das atitudes humanas desregradas e que agridem a natureza.
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